Vício Contido

Verdade sobre as Palavras

25/5/11

Não era o fim

1993…..02:15

Ainda com os olhos vendados vejo o sorriso amargo no seu rosto, o olhar era fixo para o desespero. Nenhuma imagem era mais distorcida do que qualquer cena daquela tarde infinita…

Mas não era o fim!

criado por bewlis    12:13:51 — Arquivado em: Sem categoria

7/2/11

Enquanto ela não voltar

Fugiu de mim sorrateiramente.

Nem se quer olhou para trás, buscou o rastro do sol numa tarde linda qualquer. Só me recordo do frio intenso na barriga.

Doce inspiração! Deixou-me órfão, encurralado no planeta concreto…

Louco de esperança como sou, sentei-me na velha cadeira de balanço, depois das 16 o sol aquecia minhas canelas, eu escutava dali o pio sinfônico dos pardais enquanto aguardava seu retorno. Agora, fico de prosa com o vento, de olho no balançar do pessegueiro. Tudo isso me distrai enquanto ela não voltar.

criado por bewlis    15:34:32 — Arquivado em: Sem categoria

31/12/10

A Última do Ano

Foi inevitável, mas tolerante. Foi complicado, mas verdadeiro… Só faltou uma pequena dose de intensidade…

Agora, quando já se fecham as cortinas, acredito que “Viver é melhor do que sonhar!”

Feliz Ano Velho!! (JB)

criado por bewlis    13:16:40 — Arquivado em: Sem categoria

23/12/10

Presente

Ausência…

Fico a imaginar o rumo frenético das caixas de presentes enviadas. Serão abertas…Sorriso? Decepção?

Já ganhei presente de Quem nasceu no natal!

A você que me visita, o minuto de sua atenção por aqui vale por um presente. FELIZ NATAL!

criado por bewlis    14:46:55 — Arquivado em: Sem categoria

29/10/10

Cotidiano

Esquivou-se de um novo encontro sabendo que não resistiria à troca de olhares. Era fim de tarde e a sombra de seu corpo evidenciava o nervosismo atual.

Foi traída por uma pequena lágrima que terminou antes que ele pudesse perceber. Tinha mais vontade do que coragem de estar ali naquele momento. Mexeu nos cabelos tentando pensar na próxima cena…

- Justamente eu? Pensou ela, quando quis sufocar todas as sensações que invadiam seu corpo. Na sua frente o olhar atento a todos os movimentos esperando uma resposta.

Dúvida cruel!…

criado por bewlis    08:18:30 — Arquivado em: Sem categoria

20/10/10

O Visitante

Tendo o sol arriscado uma trégua, resolveu sair de casa. Eram verões castigantes com poucos momentos que se podia tentar sair de algum abrigo. Sua casa era na vila operária, um casebre de dois pavimentos bem parecido com as construções inglesas do século XVII, na parte de cima o sótão com uma janela escura onde ela passava boa parte dos dias. De lá observava a grama castigada pelo ríspido calor e o pequeno lago que refletia quem atrevesse encará-lo.

Os pés nus adentraram o jardim, caminhou até a beira do pequeno lago como se fosse impulsionada para um encontro marcado. Tentador era sentar-se na beirada e tocar a água com os pés ainda marcados pela caminhada, o frescor que subia pelos pés aliviava a sensação quente e sufocante. O silêncio era penetrante. Quantas vezes da janela pode imaginar esse momento, fechou os olhos…

As mãos tocaram seus ombros, ao abrir os olhos uma grande luz tomava conta de tudo, soprou uma brisa intensa balançando seus cabelos, concentrou-se em escutar o que o visitante dizia. Não teve medo.

Perdeu a noção do tempo que ficou ali com a presença cativante, entre uma e outra espiada a fim de identificar o visitante era impedida pelo brilho intenso que pairava, era surpreendida pelo vento suave das asas, quis acreditar que estava sonhando envolta em um momento de extrema ternura e amor, esboçava um sorriso de canto de boca…

Quando a intensa luz diminuiu pode perceber rapidamente a silhueta estampada no lago, a imagem reproduzida era imensa, quis explorar mais sobre seu visitante quando percebeu o recolher das mãos de seus ombros, virou-se lentamente e ainda pode ver o andar suave e o balançar das asas, um raio de sol feriu-lhe a visão perdendo a cena que tinha se fixado.

Estava calma e radiante, voltou pela grama ainda marcada pela recém caminhada buscando seu recluso. Ao adentrar no quarto um girassol descansava soberano sobre a cama, uma pequena abelha se encarregava de explorá-lo… Quis agradecer a seu visitante, mas já era tarde…

criado por bewlis    14:33:31 — Arquivado em: Sem categoria

23/9/10

O Grito

Sofro nesse instante pela lágrima de ontem. O que se impregnou no corpo maltratado, acorrentado pela angústia e sufocado pelo medo é a falta da verdade.

Amanhã é o caos…

Meu coração é árido…

No final da estrada já não era mais noite, estava envolto no crepúsculo da esperança…Dessa vez não me permiti olhar para trás.

criado por bewlis    16:24:59 — Arquivado em: Sem categoria

10/9/10

Oasis do Romerito

Romerito desistiu de correr atrás da molecada, ao passar pela velha mangueira não resistiu e acocorou-se na fresca sombra que a frondosa produzia, Bigó vinha logo atrás com a língua de fora e prontamente entendeu a atitude do dono espalhando-se também naquele Oasis, olhou para Romerito que pingava, balançou o rabo por alguns momentos e descansou a cabeça sobre a perna esquerda do dono. Dali onde estavam dava pra ver as passagens lá no alto do morro pela estradinha.

Recostou a cabeça no tronco, com a mão esquerda apalpava a cabeça de Bigó que a essas alturas já tinha pegado no sono. De longe escutavam a gritaria da molecada procurando pelos dois mas era em vão, Bigó ainda levantou uma das orelhas mas novamente em vão.

A tranquilidade foi quebrada por um brado forte de padre Inácio, Romerito levantou-se de um pulo, os olhos eram fixos, Bigó deixou o amigo na mão indo se esconder atrás da mangueira. A molecada logo veio saber o que estava acontecendo descobrindo todos o Oasis do Romerito…

criado por bewlis    10:53:45 — Arquivado em: Sem categoria

23/8/10

Lembranças de sábado a tarde

Para onde vão os sonhos quando eles estão adormecidos, na triste e cinza tarde de um sábado de outubro? De certo almejam corações dispostos a não perderem de vista o horizonte, mesmo que distante.

Éramos alguns e por muito tempo foi assim, bem acostumados a timbres altos e cortantes, um brilho no olhar e um sorriso constante. Era Assim! Acostumei-me com a nova sensação, aprendi com cada um deles…

Agora são lembranças, lembranças de um mesmo momento, das luzes se apagando, o grito do fundo da alma da primeira fila, do último acorde, das palmas que se misturam ao refrão que se estende (Seattle is here!).

Por aqui tudo se tornou visceral, a amizade, o companheirismo, a vida e os sonhos, distantes mas vivos…

criado por bewlis    09:34:24 — Arquivado em: Sem categoria

19/8/10

Inspirações II (A amizade)

A Lareira

Vaguei por algumas vias, adentrei em becos desconhecidos, procurando algum estabelecimento que transformasse minhas palavras em algo concreto. Na paralela da via que estava percorrendo, uma leve fumaça com cheiro de madeira madura, languidamente pegou-me pelas mãos fazendo com que adentrasse naquele recinto.

Não me esqueço e ainda sinto aquele ar morno, o barulho do silêncio, gestos se transformando em códigos para serem interpretados abstratamente. Não se sabiam as origens, somente que ali havia uma Lareira.

Enquanto crepitava a madeira, outro abstrato concretista começara a construir um diálogo e simpaticamente a concretização da palavra ia se fazendo através de algumas identificações de idéias, pensamentos e visões. Por uns instantes, inebriada não só com a fumaça aconchegante, como também no desenrolar das decodificações, temi que tivesse caído no conto da abstração, mas os meus códigos se faziam realmente concretos perante outro ser.

Juntamente com a Lareira, compreensão das palavras proferidas e de um diálogo enriquecedor, que este ser, abstrato concretista, se faz presente até hoje em minhas explanações sobre vida, mundo, pessoas e escritas.

O Planeta Chumbo codifica em um viés abstrato diferente dos Caracteres, mas sua amizade além de continuar a concretizar diálogos pertinentes, solidificou a minha admiração, se fez imortal!

* Juliana Santana - Teixeira de Freitas, Agosto de 2010

criado por bewlis    11:12:56 — Arquivado em: Sem categoria

27/7/10

Andanças

As manhãs eram esfumaçadas, andando pela antiga estradinha não se via quem vinha adiante, o vento passava apressado e repentinamente parecendo querer acompanhar quem se arriscava a caminhar nas primeiras horas do dia.

Meu casebre ficava bem a beira do caminho, a estas horas do dia a chaminé denunciava o fogão a lenha, o aroma de café fresco era levado pelo vento que entrava sem bater. Tomava meu café sentado na cadeira de palha que ficava na porta da cozinha, era dali que me destraia com o movimento do caminho.

O menino de pés descalço, semblante jovial, a pequena mochila de tecido encardido e a amiga vara de pescar, nem se importava com o ar gelado das primeiras horas. Caminhava calmamente, hora ajeitava a alça da pequena mochila que teimava em cair. Ao passar por mim esboçava um tímido sorriso, fazia uma pequena reverência e continuava seu caminho.

Alegrava-me o coração, meus pensamentos seguiam com o jovem. Pela antiga estradinha seguiam os sonhos, andanças que se misturavam com o canto do carro de boi e o balançar da carroça.

criado por bewlis    14:10:13 — Arquivado em: Sem categoria

12/7/10

12/07

Gosto do jeito que me olha, seu olhar repleto de luz e emoção invade minha alma inquieta, contempla meu interior.

Gosto do jeito que toca meu rosto. Desenha com a ponta dos dedos cada parte sem ao menos imaginar o caminho das lágrimas.

Gosto do jeito que sussurra ao meu ouvido, a voz trêmula, respiração contida, fala das coisas que te alegram o coração.

E eu? A testa franzida, os lábios juntos e salientados, o silêncio de sempre… Quantas vezes perdido, desapontado, angustiado, mas sem esquecer do rumo da vida. Ah a minha vida!

criado por bewlis    09:22:25 — Arquivado em: Sem categoria

25/6/10

Trechos do capítulo 2

… O certo é que não voltaria ao apartamento, fiquei pelas ruas vagando, dormi entre as mais variadas almas, procurando as pequenas marquises da antiga rua próximo a orla.

Minha roupa estava molhada da chuva fina da madrugada, escondia as manchas de sangue que impregnavam o jeans. Quando começou o movimento da manhã, caminhei até a orla, segui até a beira mar… O céu era pálido, a brisa trazia o cheiro do mar…

criado por bewlis    09:14:54 — Arquivado em: Sem categoria

14/6/10

Ausência

Culpa de minha ausência: Jabulani!

Prometo, volto já!

criado por bewlis    10:38:13 — Arquivado em: Sem categoria

4/6/10

Desejo

O que eu queria? Nem eu sei!

Acordei um dia e estava tudo diferente, fora do lugar. Sabe quando você tira lá de baixo a carta do castelo feito de baralho? É assim. Precisamente. Levantei dei uma volta pelo quarto, mas não adiantou, continua tudo em metamorfose acelerada. Abro os olhos e vejo tudo cinza.

O que eu quero? Eu sei!

O vento que vem todo dia passa cedinho e me diz bom dia… O aceno tímido de quem desce à rua a procura da vida, um sorriso doce… A lágrima que corta a face pálida… Aroma de tarde ensolarada, olhando pela fresta da janela…

criado por bewlis    09:24:41 — Arquivado em: Sem categoria
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